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quinta-feira, julho 06, 2006

É esta vida que temos?...

Entrei apressado e com muita fome num restaurante.

Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bugs de programação de uma base de dados que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias para o verão. Pedi um filét de salmão com molho de manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime.
Abri o meu Portátil e apanhei um susto com uma voz baixinha atrás de mim:
-Tio, dás-me uma moedinha?
-Não tenho, menino.
-Só uma moedinha para comprar um pão.
-Esta bem, compro-te um. Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mails. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, a dar risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música leva-me ao tempo de escola e a boas lembranças de tempos idos.
- Tio, peça para colocar margarina e queijo também.
Percebi então que o menino tinha ficado ali.
- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, ta?
Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento.
Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o miudo ir embora. Meus resquícios de consciência, impedem-me de dizer. Digo que esta tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então ele sentou-se á minha frente e perguntou:
- Tio o que está a fazer?
- Estou a ler uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionários disse):-É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial ao mundo de hoje.
- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Temos de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai-me libertar para eu poder comer a minha refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar ou tocar. É lá que criamos muitas coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Isso é um espetáculo. Gostei!
- Mas, entendeste o que é virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?
- Não, mas o meu mundo também é assim... Virtual. A minha mãe fica todo dia fora de casa, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que passa o dia a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa; a minha irmã mais velha sai todos os dias, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, pois ela volta sempre com o corpo; o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas eu imagino sempre a nossa família toda junta em casa, com muita comida, muitos brinquedos, e eu a ir para a escola para um dia ser médico. Isso é virtual não é tio?
Fechei o meu Portátil, não antes que a lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o rapaz terminasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei a conta, e dei o troco ao miudo, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Obrigado tio você é porreiro!".
Ali, naquela instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia-nos de verdade e fazemos de conta que não percebemos!

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Mais histórias

O chá é conhecido há muitos anos, por exemplo, temos um poema de Confúcio, escrito 500 AEC, em que ele aludia ao chá e, cerca de 300 anos depois, por volta de 200 AEC, a história fala de um imperador que encheu os seus cofres só com o imposto de chá.

Além disso, conta também uma lenda que um dos discipulos de Buda, um certo Bodhidharma, cria que a verdadeira santidade só podia ser atingida através da constante meditação, dia e noite. Durante uma das suas longas vigilias, o sono finalmente o dominou. Para não sucumbir outra vez diante de uma fraqueza humana tão baixa, ele decepou as suas pálpebras.
Estas cairam no chão e começaram milagrosamente a germinar. No dia seguinte surgiu um arbusto verde. Ele provou as folhas e as achou deliciosamente revigorantes. Naturalmente esta era a planta do chá.

Mas o chá não tem só histórias...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Algumas histórias de chá

Conta uma lenda chinesa que no ano 2737 a.C., o imperador Shen Nung descansava sob uma árvore quando algumas folhas caíram em uma vasilha de água que seus servos ferviam para beber. Atraído pelo aroma, Shen Nung provou o líquido e adorou. Nascia aí, o chá.

É bem provável que essa história nem seja verdadeira, mas dá um ar romântico à origem de uma bebida conhecida mundialmente. Esta lenda é divulgada como a primeira referência à infusão das folhas de chá verde, provenientes da planta Camellia sinensis, originária da China e da Índia. Na verdade, o primeiro registro escrito sobre o uso do chá data do século III a.C. O tratado de Lu Yu, conhecido como o primeiro tratado sobre chá com caráter técnico, escrito no séc. VIII, durante a dinastia Tang, definiu o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo.