Porque hoje me apetece poemar...
Sentado na mesa do canto
Observo o vai e vem dos empregados
muito empertigados
de farda imaculada
e pano imundo na mão
limpa a mesa e o balcão.
"Um café e um copo de água"
"Um queque e um galão"
pedem os clientes,
com pressa ... ou talvez não
O cliente jocoso
que brinca com a empregada estrangeira
a senhora septuagenária
que segura os dentes presos no pastel
o jovem apressado que já vem de lá gritando...
na mesa do canto... observo o mexe mexe
do café.
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sábado, junho 07, 2008
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Setubal
sexta-feira, março 07, 2008
Mulher Presente
O poema que vou transcrever para aqui nada tem a ver com o facto de estarmos no dia da mulher, mas sim por nesta altura me ter caido nas mãos um poema maravilhoso, e escrito pelo maior poeta alguma vez cantado.
Na canção que eu hoje trago
Direi tudo o que eu quiser
No passado deixo um cravo
Planto outra flor qualquer.
.
O meu jardim é ser enfim
Mulher
.
Sofri
Fui escrava e fui mansa
Mas agora posso
Erguer a cabeça
E dar flor.
.
Pari
Um filho de esperança
Que é livre e é nosso
E nasce da seiva
Do amor.
.
Lutei
Com que armas não sei
Mesmo na desgraça
Ergui a cabeça
E lutei.
.
Senti
A força da raça
Dum povo que passa
Depois de ser escravo
A ser rei.
.
Na canção que eu hoje vivo
Cabe tudo o que eu disser
A Palavra amante e amigo
A fúria de viver.
.
Cantando assim eu sou por fim
Mulher.
José Carlos Ary dos Santos.
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