Encontrei esta informação, que gostava de partilhar convosco.
J. Sebastian Bach, grande compositor e maior consumidor de café, contava-se entre as suas obras 20 filhos.
Até aqui esta informação não tem nada de mais, não fosse o facto de vir imediatamente a seguir a outra sobre Frederico da Prússia, que tentou que os médicos declarassem o café como causador de esterilidade.
A final em que é que ficamos?
É que em alguns tratados médicos árabes, também se afirma que o café provoca esterilidade nos homens e torna as mulheres frigídas.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Curiosidade (?)
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Relógio Português na net
Para quem tinha duvidas em relação à capacidade dos nossos especialistas da área, aqui fica para vosso "deslumbramento", o que os senhores andam a fazer tanto tempo na universidade...
Muito bem conseguido!!!
Http://www.yugop.com/ver3/stuff/03/fla.html
- Olha a Fátinha. Então, deixa lá ver esse bébé... coisinha mais fofa! Então e a Fátinha, veio de fugida fazer uma visita?
- Mais ou menos, já estava realmente cansada de estar em casa, e viemos os dois aproveitar o solinho e pensei e tomar um dos seus cafézinhos. Mas ... será que me vai fazer mal?
- Mal, mal não fará, mas ainda está a dar de mamar não é?
- Estou, felizmente.
- Então o melhor é não arriscar ficar excitada e levar isso ao bébé. Eu preparo-lhe um belo chá principe com casca de laranja, para acalmar, mas ... vou dar-lhe um bolinho de café e cenoura, para matar as saudades do cafézinho.
- Bolinho de café e cenoura?! Você e as suas idéias...
- É que estes são feitos com café instântaneo e não fará tanto mal.
- Então e pode saber-se como se faz?
- Claro. Deixe-me servir-lhe o chá e o bolinho, que já vou ver da receita. Pode sentar-se, que eu levo à mesa.
...
- Ora bem, cá está a receitinha:
2 colheres (chá) rasas de café instantâneo em pó
150gr de açucar
3 ovos
2 colheres (sopa) de manteiga
5 colheres (sopa) de puré de cenoura (cozida)
100gr farinha de trigo com fermento
açucar areado q.b. para polvilhar
formas de papel de tamanho médio
Bate-se bem o açucar com a manteiga até ficar um creme fofo: acrescenta-se as gemas, o puré de cenoura, o café, a farinha e as claras bem batidas em castelo.
Deitam-se colheradas de massa nas formas de papel e vão ao forno quente num tabuleiro. Polvilham-se com o açucar antes de se servirem.
- Agora vá lá fazer uma meia dúzia para o Manelinho, que ele coitado anda mesmo de rastos.
- Bem sei, coitado! Mas é um santo homem... e olhe que o cafézinho que lhe deu ontem, diz ele que fez-lhe mesmo bem, ao espirito... bem para falar a verdade, foi mais a sua boa disposição.
- Bom dia!
- Bom dia, Sr. Manuel, como está? Parece mais bem disposto e com melhor cara.
- É verdade. Tenho dormido bem, as mésinhas das avós parece que por vezes resultam, o bébé já tem dormido qualquer coisa, e nós também.
- Ainda bem. Então vamos na torradinha, certo?
- Não, não. Hoje não. Já tomei o pequeno-almoço em casa. Só mesmo um cafézinho, e se calhar aqui um destes rissóis de muito bom aspecto.
- Mas olhe que isso não são uns rissóis quaisquer. São de café.
- Pronto, lá vem você com ideias novas outra vez...
- Mas olhe que são muito bons.
- Um rissól de café? E como é que isso é feito?
- Lá tenho que contar os meus segredos gastronómicos, não é? Está bem, eu explico: primeiro é fazer a massa vulgar dos rissóis, substituindo apenas o sal por açucar, exactamente na mesma quantidade. Estende-se a massa, muito fina e recheia-se com creme de café e uma pitada de amêndoas moídas. Depois de fritos e assim que se tiram do óleo, passam-se por uma mistura de açucar refinado e canela, e ... Voilá. Rissóis de café.
- Então venha de lá essa especialidade, quero ver se realmente isso é ou não digno de ser degustado.
- Olha o Sr. Amancio, tão cedo por aqui?
- Bom dia! É verdade homem, vou a uma consulta...
- Não me diga que anda doente.
- Não homem, é apenas rotina, ou acha que estes 72 anos são de quem está doente?
- É verdade, o Sr. Amancio está aí para as curvas. Mas digo-lhe, gosto mesmo de apreciar as pessoas da sua idade, a sapiencia, os costumes, os seus tempos de juventude...
- Ai os meus tempos de juventude... que saudades, dos bailaricos, do cinema onde iamos namorar...
- Olhe que nesse aspecto os tempos não mudaram muito. E por falar em mudar, sabe o que me aconteceu hoje.
- Então diga lá...
- Bem não foi acontecer, foi mais ver, e lembrou-me uma situação do meu tempo de jovem, pelos meus 14 anos. Aconteceu que ia na rua, e escutava uma senhora já de seus cinquenta e muitos, sessenta anos, que reclamava da forma como os jovens se cumprimentavam. Que antes os homens tiravam o chapéu às senhoras e curvavam a cabeça, mas agora... em vez de se curvarem ainda levantavam era o queixo e o boné, se levavam na cabeça, nem quando entravam em casa o tiravam.
- E é verdade. Ainda cheguei a apanhar carolos por entrar em casa de chapéu...
- Pois é mas os costumes vão se alterando, e assim também a forma de se cumprimentarem. Até me lembro de ter lido uma crónica do Miguel Esteves Cardoso, no Independente, sobre o beijo.
- Sim, sim, também me lembro, dizia que no inicio as senhoras cumprimentavam-se com dois beijos, depois passou a ser só um, e que por vezes acontecia que quando iamos a dar o outro lado da cara já não estava lá boca nenhuma, e por fim já só beijavam o ar. Um pouco ridiculo, também concordo.
- Pois é sr. Amancio, pois é. Agora repare o caricato de hoje de manhã. Reparei num jovem de seus 15 anos, talvez 16, que saía do autocarro e que muito sorridente e alegre, esticou o dedo, num gesto que até aqui sempre foi considerado ofencivo, e cumprimentou um outro que lhe respondeu da mesma forma, também com a mesma boa disposição.
- Não me diga uma coisa dessas...
- Digo sim, e se não tivesse visto, também estaria com essa cara de espanto.
- Esta juventude. Enfim, a ver se isso não pega moda. Olhe, faz-me lembrar o filme daquele inglês cómico.
- O Mr. Been?
- Exactamente.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
O descafeínado
- Então Sr. Canephora, como está?
- Olha a minha cliente favorita. Então por onde tem andado, que ninguém a tem visto. ... um descafeínado em chávena escaldada, não é?
- É sim Sr. Vejo que ainda se lembra.
- Claro. Então o que a trás aqui? Já tinha saudades das suas visitas...
- Tenho andado por aí, mas agora voltei para ficar mais perto, e também já tinha saudades aqui do seu cantinho. E também é verdade que em nenhum outro lado eu bebo um descafeínado como aqui. E já que falamos nisso, explique-me lá afinal essa ehistória do descafeínado, faz bem, faz mal, como é que se consegue um descafeínado?
- Olhe menina, isso de fazer bem ou mal, é como tudo, se abusar, vai fazer mal concerteza. Quanto ao descafeínado em si, não é mais que um café mais suave que é torrado até perder percentagem do seu teor. Eu explico, a cafeína não pode ser dissossiada do café, como é óbvio, mas através do processo de torrefacção de Rungue, é possível atingir um grau de menor saturação nos grãos. Por isso para obter um descafeínado, primeiro temos que ter um café Arábica, que pelas suas qualidades tem menos cafeína que o Robusta, cerca de metade do teor, depoir e conforme provado através de um estudo feito pelo Sr Vanier, que aliás esteve aqui ainda esta manhã, verifica-se que quanto mais escuro ficar o grão, menor o teor de cafeína, sendo que no Arábica, em 100gr de grãos de café, este pode reduzir a cafeína de 1.05, para 0.80 depois de atingido a torrefação desejada, ou seja a mais escura.
- É pá, tanta coisa junta, até me perco... afinal o descafeínado é café, mas com menos teor de cafeína.
- Exactamente. Por isso, se a menina gosta de um café mais aromatizado e menos intenso, pede um Arábica, mais torrado, por exemplo, se quer um café, como se costuma dizer na giria, de levantar mortos, pede um robusta menos torrado.
- É o bom de virmos aqui ao seu cantinho. Não só tomamos um bom café, como levamos sempre daqui uma boa conversa. Até já vou daqui com mais vontade de trabalhar. Até logo.
- Adeus menina, e agora não esteja tanto tempo sem aparecer!
- Não estou não, esteja descansado.
Hoje, enquanto ainda me preparava para abrir as portas, apareceu-me um um senhor, cansado da vida; trazia umas rugas acentuadas, uns olhos cansados, mas no rosto um sorriso que asambarcava a vida.
Abri-lhe a porta e convidei-o a entrar.
Disse-me que tinha ido apenas atrás do cheiro do café e apresentou-se como sendo Michel Vanier, um estudioso do café, em todas as suas vertentes.
Então sentado numa mesa mais recatada contou-me estórias do seu tempo de menino, quando "entre os sacos de café que exalavam um odor exótico, se comprazia a sonhar com países que os seus avós haviam visitado e que depois lhes expediam as suas colheitas de café. Ali estavam os sacos de juta de 60 kg que procediam de Santos, da Baia, de Pernambuco, do Haiti, dos países da América Central, os Costa Rica, os Guatemala e também os Jamaica, aqueles cafés finissimos que desgraçadamente já não conhecemos".
Deixei-me levar pela imaginação, despertei e, enquanto ele deambulava pelas memórias, servi-lhe uma chávena de café bem quente e fui me preparando para a clientela que já não tardava aí.
terça-feira, janeiro 17, 2006
- Olha a minha amiguinha brasileira... então, que cara é essa mulher?
- Nem me diga nada. Tive de ir ao SEF, por causa do meu visto para continuar cá...
- Ui, ui! Imagino. Horas de espera...
- Horas!? Quando lá cheguei não havia mais senhas para dar, e ainda nem eram 10h. A sorte foi uma amiga lá, e ainda consegui ser atendida perto das 17.30h.
- Afinal não correu assim tão mal. Porque com os estrangeiros que cá temos, era de esperar talvez mais.
- Pois, o problema é que quando fui atendida, já não tratavam do meu caso ali. E ainda por cima não tinham nenhuma informação a dizer isso. E mais, só haviam duas pessoas para atenderem mais de 130...
- Pois o típico português. Mas ao menos trataste dos papéis?
- Que nada! Tem de lá ir a minha mãe, no novo local, para ver se pode fazer por mim, senão vou ter de perder outro dia de trabalho.
- Bem, o que está perdido está... deixa lá isso e, ... olha bebe aqui um licorinho de Café, pode ser que te anime.
- ... bom dia!!!...
- Bom dia, .. é lá... qué lá isso? O Home, recomponha-se, até parece que foi atropelado por um camião!
- Antes fosse, antes fosse!
- Então diga lá... porquê essa cara?
- É o bébé. Nem imagina, leva as noites acordado. Coitadito... são as cólicas. E a minha mulher então. Está um farrapo. A médica diz que isto passa, que não é preocupante, mas eu é que já não aguento tantas horas sem dormir... às vezes no trabalho deixo cair a cabeça no teclado...
- Oh homem, não seja por isso... vou dar-lhe aqui uma dose matinal de energia.
- O quê? o seu famoso café?
- Claro! Ou acha que os grandes génios que aqui vêm se contentam apenas com um café... tem de ser especial.
- Então o café não é todo igual?
- Não homem. Na generalidade o café que se bebe por aí, e mesmo no dia-a-dia, aqui, é o chamado Arábica, mais suave, menos cafeína, mas o meu Robusta, sem misturas, é o mais concentrado em cafeína, e vai ver que depois de lhe o dar, o dia até vai render mais uma hora...
- Ora, ora... não acredito!
- Ai não? Pois fique sabendo, que depois de ter bebido um café assim, sabe o que disse Maomé?
- Ora, mais uma das suas sapiencias. Então diga lá.
- É obviamente um exagero, mas diz-se que esse profeta de Alá, disse, após a ingestão deste liquido fortificando e maravilhoso, vai ter de me desculpar este afloramento ao café, mas é realmente assim que o considero, que "estava pronto a cavalgar 40 ginetes e possuir 50 mulheres". Não lhe garanto que saia daqui assim, mas pelo menos, vai muito mais bem disposto para o trabalho.
- Olhe, bem disposto já me pôs, por isso venha de lá esse café. Mas antes dê-me é uma torradinha com essa manteiga de vaca que você guarda aí, e um sumo de maçã.
- Está já aqui, sabe que isto de servir clientes de hábitos tem as suas vantagens... já sabemos o que vão pedir.
O Café como Local de Culto
É no café que os amigos se reunem.
É em volta de uma mesa, acompanhados de café (como estamos aqui) que os grandes génios intelectuais se manifestam.
Foi certamente, no café, que se organizaram revoluções (ainda ontem ouvia o que diziam os meus "companheiros" de mesa acerca do que fazer quanto às soluções para este governo), é também nesses recantos que os grandes treinadores preparam os seus jogos (é ver dois ou três a conversar sobre futebol e a sagacidade e tecnicismo futebolístico, e percebemos logo que ali está certamente o sucessor de Mourinho ou mesmo o próximo seleccionador nacional).
É também no café que surgem os grandes romances, a partilha cumplíce, a troca de conhecimentos entre muitas outras coisas.
O café passou a representar, em muitos casos, o local de conversa amena e de reflexão em deterimento dos próprios locais de culto, conforme atestado por Alexandre Dumas, no seu Dicionário de Cozinha:
"O gosto pelo café foi levado a um extremo tão grande em Constantinopla que os imans se queixavam de ter as mesquitas vazias enquanto os salões de café se encontravam cheios".
Factos Curiosos Sobre o Café
- A planta do café, no seu estado selvagem pode atingir os 15 mt. de altura;
- tem uma longevidade de 50 anos, floresce a partir dos 3, mas só atinge maturidade produtiva a partir dos 5 anos;
- as folhas são identicas às da cameleira;
- uma planta de café, na sua maturidade, produz entre 400 gr e 2,2 kg.
- a flor é branca, com 5 pétalas e possui um agradável odor entre os jasmim e a laranja;
- num só cafeeiero podem aparece mais de 30 mil flores;
- cada grão de café está coberto por uma películoa celulósica de tom amarelo-pálido, a que se chama pergaminho (daí que possa ser por isto que os escritores se inspiram e apresentam obras literárias e outras genealidades intelectuais e da arte, sempre acompanhados por este nobre liquido) - grifo acrescentado.
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Subi a Rua do Carmo, calmamente, e na minha cabeça sobejavam palavras, acompanhadas pela banda sonora dos UHF, músicas, não tão antigas como Bocage, mas igualmente reconfortantes recordações da juventude.
Virei para o Chiado, e o barulhinho do café começou a chegar-me.
Estava um bocadinho atrasado, mas cheguei e sentei à sua mesa.
Já o Pessoa tinha pedido, e numa chávena de café fumegante, deambulamos nas palavras por várias horas, sempre acompanhados pelo fumegante e expesso liquido.
Despedi-me tardiamente, com a promessa de voltar.
Não cumpri...
